Naquele livro de mármore branco do túmulo de meu avô, já pensei em pedir pra gravar, quando com ele pegar carona, estes versos finais de réquiem que acaba de chegar-me do colega-poeta que tem adornado e enriquecido estas páginas desde a "Epopéia Poética" antes circulada nesta série, Cláudio L.N. Guimarães dos Santos:
(...)
O conhecido, como sempre, é banal,
E o mistério segue sendo indecifrável.
Não te lamentes.
Não faças drama.
Morre quieto como a neve cai:
Em branco.
Em branco, no livro branco!
Outra frase, esperançosa (ou ameaçadora...), que bem gostaria de que lessem post-mortem no livro branco, esta de Fernando Pessoa (Álvaro de Campos):
Talvez, acabando, comeces...
Epígrafes terminais! Ou inaugurais...
A ideia das inscrições é boa, mas tive logo de abandoná-la: serei apenas carona de meu avô, e não sei se ele gostaria... Seria como pegar carona em caminhão e logo querer pintar frase no para-choque. Naquele Almanaque do Turismo Rural, citado aí em cima, encontrei esta expressão colinense, definitiva nas circunstâncias:
"Quem está na garupa não pega rédea".
Carona tem o vezo invariável de dar palpite, intrometer-se e atrapalhar. Roberto Abdenur, Embaixador também aposentado, mas como sempre muito na ativa, costumava dizer, irritado por não conseguir enxergar direito, no espelho retrovisor, o banco de trás de seu Renault Gordini atulhado de importunos colegas do Instituto Rio Branco:
"Carona bom mesmo é o que não tem cabeça."