Aproveitei minhas idas e vindas ao redor de nossa simpática necrópole para verificar o estado do túmulo de meu avô, Urbano Prado, segundo Prefeito de Colina (cargo que ocuparia duas vezes), segundo proprietário da Pharmácia Santa Izabel, por longo tempo administrador da Fazenda São Joaquim, onde criou a família, junto com minha vó Cotinha, Maria Franco da Silva Prado. Ele faleceu a 24 de dezembro de 1942, na própria Pharmácia onde eu havia nascido pouco mais de quatro anos antes. Sua filha Wanda Prado (esposa do Antonio Olintho Nogueira), tomava conta do jazigo, mas também faleceu, em Barretos, uns três anos atrás. A tumba está bem, íntegra, apesar de uma ou outra trinca no belo mármore negro, mas a poeira do tempo jazia também sobre ela, intocada desde que os zelosos cuidados de minha tia se tornaram impossíveis.
Na qualidade de descendente mais próximo, então residente em Colina, resolvi tomar a mim a tarefa da tia Wanda, e mandei dar uma arrumada. Dizer que ficou atraente seria exagero, e dar margem a mórbidos mal-entendidos; mas que ficou bonito, ficou, em sua simplicidade elegante, de retângulos de mármore negro superpostos, só contrastados por também singelas e simétricas curvas verticais na cabeceira. Um pequeno livro em mármore branco, aberto, com o nome do falecido e as datas de * e +, é o único adorno. (Parece que o túmulo, discreto e de bom gosto, foi encomenda do genro Julio Venturini – pai do Julinho e avô da prima Fernanda, a musa do vôlei).
Estou conversando com o Eugênio, administrador da necrópole (nosso Caronte?) sobre o que mais fazer com o jazigo, na esperança de um dia, remoto ainda – espero! -, pegar carona com meu avô.
Carona de Caronte...
Vocês já notaram o endereço do cemitério? Praça dos Direitos Humanos!
Esquisito.