Distâncias terminais

Cito a mim próprio, das Colinenses e das peças inaugurais da presente série dos "87 anos + ...":

“A família me pergunta, preocupada: sua saúde, quem vai cuidar dela?...Logo respondo: dois centros médicos universitários de relevância estão perto, Ribeirão Preto a hora de carro,  Rio Preto igual. Campinas está a 3 horas, São Paulo a 4 e meia, Barretos, que é referência nacional e internacional para especialidades oncológicas, está a 15 minutos. Além disso, em Colina, no mesmo quarteirão, em frente, moram dois excelentes médicos, o pronto-socorro e o Hospital da cidade estão a 150 metros.

Se isso não bastasse, a 800 metros está o Cemitério. Dá prá ir a pé”.

Já se riu muito dessa frase final aí citada.  Aproveito para confessar o plágio: a frase é de meu pai, respondendo a pergunta sobre quão longe ficava, jazigo que havia comprado em cemitério de São Paulo, do túmulo de meu tio Octávio, antes falecido. Ele respondeu justamente que era tão perto que dava para trocarem fraternas visitas a pé - “walking distance”. Plágio de filho pra pai, benigno e perdoável...

As distâncias horárias mencionadas na citação foram inventadas na hora, claro. Meros chutes de primeira em meu afã de justificar a mudança para Colina perante meus amigos.  

Outro dia, deu-me na telha checar a precisão daqueles impensados pontapés na bola. Concluí que o mais exato foi o chute pro Cemitério... O que não é de surpreender: na minha idade, o destino, inelutável, se vê mais de perto. Ademais, por alguma razão o Cemitério está na ponta de minha rua, é bem verdade que com uma curva amena, demorada, bem perto do fim (haverá algum simbolismo nisso?)

Em Almanaque do Turismo Rural em Colina encontro esta expressão popular, própria da cidade e jocosamente fúnebre: “Descer a Sete”. Precisa explicar? Para quem não tem o privilégio de ser de Colina, esclareço: a Rua Sete de Setembro também dá no Cemitério, que, por sinal, é conhecido na cidade como a “terra dos pés juntos”. Mas aqui cabe igualmente citar esta frase expressiva da obstinada rebeldia da cidade: "Descer a Sete? Vou, sim, mas com o calcanhar prá lá".

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