Eu ainda tenho a esperança de que em nossos tempos mudados e mais amadurecidos as parcerias novas dispensem submissões. Afinal, seríamos ambos ex-colonizados, remotos e recentes, experientes das pressões, agressões, manhas e tretas dos colonizadores, já conhecidas e um tanto exorcizadas ao longo do tempo. Quem sabe possamos manter uma relação genuína e imperativa de dependência e influências recíprocas e soberanas - logística, econômica, cultural, científica, tecnológica e também política, ensaiando como que um saudável e profícuo colonialismo bilateral para o progresso duplo, fundado no respeito mútuo e naquelas dependências equilibradas, em alguma medida “empatadas” e conjuntamente multiplicadoras na perseguição de objetivos comuns. Para isso temos, nós, o Agro e mais recursos naturais e industriais pujantes e complementares na parceria cogitada. De trunfos relevantes igualmente dispomos como país-chave no reordenamento geopolítico incipiente no mundo, catalisador potencial de consenso e cooperação entre os continentes, líder continental em contextos inovadores como o do Sul Global.
Colega aludiu aos riscos contidos na parceria com “um novo gigante em formação”. Corrigi-o de pronto, apontando que naquele possível par de associação binacional seremos dois! os “novos gigantes em formação"!
Não nos subestimemos!
Escrevo de Paranavaí, no Norte paranaense, que visito pela primeira vez desde os anos 1960, quando fazia para a então “Folha da Manhã” (hoje “de São Paulo”) a cobertura da Marcha da Produção, movimento da cafeicultura contra o chamado “confisco cambial”. Surpresa: não vejo nem um pé de café onde antes era o que havia, supremo e total, embora ao cabo desgastado, maltratado sobrevivente de geadas sucessivas e destruidoras, severas e gerais. Só vejo agora cana, pasto, tubérculos, frutas, boi e aves, além de indústria diversificada e omnipresente. E que vitalidade urbana, e mesmo ao longo das estradas, estas igualmente excelentes, seguras! O rubro solo das espessas e cegantes poeiras de antigamente agora recoberto de verde vegetal ou construções e asfalto, todo cultivado e aproveitado, os caminhos ladeados de incontáveis fábricas, pequenas e de subido porte, vinculadas ao agro e com avanços patentes no denso, variado e criativo processamento da produção agrícola de agora (até polpa de mandioca é aproveitada para fabricação de utensílios de mesa sólidos, comestíveis!) - avanços também presentes na movelaria, na mecânica, na metalurgia e nos serviços em geral. (Vi, atônito, na estrada, carregados em fila sobre carretas imensas, uma meia dúzia de também imensos, espantosos, cilindros negros e ocos de aço na aparência inteiriço, com uns 10 a 12 metros de diâmetro cada, talvez uns 20m de comprimento, em formato que sugeria destinação a mega-silos rurais. No lado circunflexo a inscrição do ”made in…”, discreta, despretensiosa: “Produto de Assaí”).
Colega aludiu aos riscos contidos na parceria com “um novo gigante em formação”. Corrigi-o de pronto, apontando que naquele possível par de associação binacional seremos dois! os “novos gigantes em formação"!
Não nos subestimemos!
Escrevo de Paranavaí, no Norte paranaense, que visito pela primeira vez desde os anos 1960, quando fazia para a então “Folha da Manhã” (hoje “de São Paulo”) a cobertura da Marcha da Produção, movimento da cafeicultura contra o chamado “confisco cambial”. Surpresa: não vejo nem um pé de café onde antes era o que havia, supremo e total, embora ao cabo desgastado, maltratado sobrevivente de geadas sucessivas e destruidoras, severas e gerais. Só vejo agora cana, pasto, tubérculos, frutas, boi e aves, além de indústria diversificada e omnipresente. E que vitalidade urbana, e mesmo ao longo das estradas, estas igualmente excelentes, seguras! O rubro solo das espessas e cegantes poeiras de antigamente agora recoberto de verde vegetal ou construções e asfalto, todo cultivado e aproveitado, os caminhos ladeados de incontáveis fábricas, pequenas e de subido porte, vinculadas ao agro e com avanços patentes no denso, variado e criativo processamento da produção agrícola de agora (até polpa de mandioca é aproveitada para fabricação de utensílios de mesa sólidos, comestíveis!) - avanços também presentes na movelaria, na mecânica, na metalurgia e nos serviços em geral. (Vi, atônito, na estrada, carregados em fila sobre carretas imensas, uma meia dúzia de também imensos, espantosos, cilindros negros e ocos de aço na aparência inteiriço, com uns 10 a 12 metros de diâmetro cada, talvez uns 20m de comprimento, em formato que sugeria destinação a mega-silos rurais. No lado circunflexo a inscrição do ”made in…”, discreta, despretensiosa: “Produto de Assaí”).
Assaí, o povoado minúsculo que conheci mais de meio século atrás, incipiente aldeia quase exclusiva de japoneses e seus descendentes mas que hoje é a única brasileira e latino-americana que figura no ranking mundial das “sete comunidades mais inteligentes” do planeta, aferidas por entidade norte-americana, o Intelligent Communities Forum, competindo com cidades como Bursa (Turquia), Fairfield (EUA), Kinsgton (Canadá), Las Rozas (Espanha); Curitiba, primeira em 2023, no seguinte ficou de fora. E Assaí este ano se posiciona para alcançar o primeiro lugar naquela lista que qualifica e escala o descortino urbano no mundo!
Não acreditam? Então acessem https://www.facebook.com/share/v/17U4pWP8bz/?mibextid=wwXIfr, assim como https://www.facebook.com/share/v/1BUYdyDNFo/?mibextid=wwXIfr, e se convençam com respeito a seus progressos econômicos - também da educação (trilíngue curricular já para as crianças: português, inglês, japonês) e da ciência na cidadezinha, que apesar da diminuta população (13 mil) conta com uma Secretaria municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação, e cujo Prefeito, em quarto mandato, Tuti Bontempo, ostenta como motto “Educação para transformar os jovens!” e se apresta para viajar ao Vietnam, onde se realiza a premiação internacional da inteligência urbana, em dezembro! (Não é que em Assaí também se desenvolveu eficientissimo e transparente sistema informático e de TV para acompanhamento por som e imagens do comportamento e do desempenho de todos e cada um dos alunos nas escolas! Com deleite apelidado “dedo duro” de alunos (e também professores!), façanha de programadores e educadores altamente especializados? Não, mero trabalho de classe de aluno ginasiano, por encomenda da direção da escola e do Prefeito! Vejam os vídeos na web para acreditar e admirar!)
A própria Paranavaí? A incipiente aldeia cafeeira de minha primeira viagem, lacerada pela erosão em escaras profundas, gigantescas (me recordaram o assustador “buracão” de Colina, minha terra natal, agora também já domado), transformou-se numa cidade moderna, múltiplas praças de lazer, esporte e recreio, ruas largas com piso asfáltico perfeito, avenidas no dobro da largura, rotatórias ajardinadas a cada poucos quarteirões, baias para estacionamento ao longo das vias e calçadas, estas vastas e acolhedoras, sinalização avançada, até a Igreja que vi, de São Paulo, de singela, moderna e equilibrada elegância, acolhedora religiosidade (fui ao Paraná para levar prima nissei ao altar matrimonial); comércio sofisticado, fachadas e letreiros modernos e de bom gosto, vitrinas apetitosas; residências, escritórios e clínicas de esplêndida arquitetura e refinado acabamento…
Enfim: nesse capítulo do ordenamento urbano, a cidade se mostra até bem superior ao que conheço de nosso interior paulista, nisso um tanto encanecido, refém de formatos mais antigos, obstáculos veneráveis mas difíceis de reformar e atualizar - freios à modernidade em oposição aos núcleos “novos” como o que se gerou em Paranavaí, que data de 1975 (Colina, v. g. , vem da década inaugural do Século passado).
Nada aqui fica atrás do glorificado interior paulista, minha terra exemplar (a “Califórnia nacional”), o que seria bastante dizer em justo elogio a esta que ora revisito, com reconfortante espanto e alentado orgulho brasileiro.
E eu nem pude ver de novo Londrina, Maringá, as capitais econômicas, mais populosas e supostamente as aglomerações mais prósperas e adiantadas da região! Mas a julgar pelo que vi, li e ouvi acerca das surpreendentes Paranavaí e Assaí, seria outra traição ao Brasil desmerecer seu provável futuro desempenho internacional ante cenários como este do reconvertido Norte paranaense - amostra promissora do que é e do que cedo pode vir a ser todo o nosso impávido colosso, que só a nós cabe despertar de seu berço esplêndido, confiante, revigorado - e destemido!
Nada aqui fica atrás do glorificado interior paulista, minha terra exemplar (a “Califórnia nacional”), o que seria bastante dizer em justo elogio a esta que ora revisito, com reconfortante espanto e alentado orgulho brasileiro.
E eu nem pude ver de novo Londrina, Maringá, as capitais econômicas, mais populosas e supostamente as aglomerações mais prósperas e adiantadas da região! Mas a julgar pelo que vi, li e ouvi acerca das surpreendentes Paranavaí e Assaí, seria outra traição ao Brasil desmerecer seu provável futuro desempenho internacional ante cenários como este do reconvertido Norte paranaense - amostra promissora do que é e do que cedo pode vir a ser todo o nosso impávido colosso, que só a nós cabe despertar de seu berço esplêndido, confiante, revigorado - e destemido!
Repito:
Não. Não nos subestimemos!
Como dizem os chineses: a crise gera problemas mas igualmente oportunidades. Entendo que para eles e para nós!
Perdoem os leitores o estilo arrevezado, descuidado, gongórico e prolixo, assim como o otimismo derramado nessa crônica quase-desabafo, admito que talvez até meio exagerado. Ora, a meu juízo (ou falta de?),
Perdoem os leitores o estilo arrevezado, descuidado, gongórico e prolixo, assim como o otimismo derramado nessa crônica quase-desabafo, admito que talvez até meio exagerado. Ora, a meu juízo (ou falta de?),
o Brasil anda muito carente de ufania!